Durruti – Entrevista por Pierre van Paasen

Entrevista por Pierre van Paassen concedida em 24 de julho de 1936, publicado no The Toronto Daily Star em 5 de agosto de 1936.

Em setembro, após a libertação de Aragão das forças de Franco, Durruti foi entrevistado por Pierre van Paasen do jornal Toronto Star. Nesta entrevista ele conta um pouco de suas visões acerca de temas como fascismo, governo e revolução social. Embora estas considerações apareçam aqui já traduzidas em inglês – pois nunca foram escritas em espanhol – vale a pena reproduzi-las.

Para nós”, disse Durruti, “é uma questão de esmagar o fascismo de uma vez por todas. Sim; e apesar do Governo”.

Nenhum governo do mundo combate o fascismo até a morte. Quando a burguesia vê o seu poder escorrendo pelas mãos, recorre ao fascismo para manter seus privilégios. O Governo Liberal da Espanha poderia há muito tempo ter rendido os incipientes elementos fascistas. Mas ao invés disso preferiu flertar e se envolver com eles. E mesmo nos dias de hoje, dentro do nosso Governo, na atual conjuntura, há homens querendo pegar leve com os rebeldes [fascistas]”.

Durruti riu. “Nunca se sabe, o atual Governo pode precisar das forças rebeldes para, mais tarde, esmagar o movimento dos trabalhadores…”

Sabemos o que queremos. E para nós, não significa nada daquilo que se passa na União Soviética, em que Stalin sacrifica a paz e tranquilidade dos trabalhadores da Alemanha e da China para os bárbaros fascistas. Queremos a revolução na Espanha aqui e agora, não para depois, talvez, da próxima Guerra Européia. Estamos dando à Hitler e Mussolini muito mais trabalho com nossa revolução do que todo o Exército Vermelho da Rússia. Estamos dando um exemplo à classe trabalhadora alemã e italiana de como se deve lidar com o fascismo.”

Não espero ajuda de nenhum Governo do mundo em favor de uma revolução libertária… Não esperamos ajuda, em última análise, nem mesmo do nosso próprio Governo”.

Mas”, interpôs van Paasen, “assim você estará sentado sobre uma pilha de escombros”.

Durruti respondeu: “Sempre vivemos em barracos e casebres. Saberemos bem nos acomodar por algum tempo. Pois não se deve esquecer que somos capazes de construir. Somos nós, os trabalhadores, que construímos os palácios e as cidades da Espanha, da América e de qualquer outro lugar do mundo. Nós, os trabalhadores, poderemos construir outros para substituí-los. E outros ainda melhores! Não temos o menor receio das ruínas. Herdaremos a terra; não temos a menor dúvida. A burguesia pode pilhar e devastar seu próprio mundo antes de abandonar o palco da história. Trazemos um novo mundo, bem aqui, em nossos corações. Este mundo está crescendo agora mesmo.”

 

Fonte: http://flag.blackened.net/revolt/spain/durruti_interview.html

Tradução: J.P.M.S.